O “Catalogue of the species of plant rust fungi (Uredinales) of Brazil” é básico para pesquisas sobre Uredinales no Brasil e pretendemos deixá-lo a disposição da comunidade científica para que possa ser acessado assim como também ser complementado e atualizado. Para isso, o pesquisador deverá enviar a sua sugestão via e-mail para o endereço eletrônico anibal@jbrj.gov.br.

Caso queira adicionar novas ocorrências para o Brasil, ainda não constantes no catalogo, deverá enviar uma separata do artigo publicado em revista científica para que possamos realizar a sua inclusão. Isto permitirá que o presente catálogo esteja sempre com as informações atualizadas e disponibilizadas a todos.

Endereço para correspondência:
A/C Anibal Alves de Carvalho Júnior
Rua: Pacheco Leão, 915
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Catalogue of the species of plant rust fungi (Uredinales) of Brazil

Joe F. Hennen
Mario B. Figueiredo
Anibal de A. Carvalho, Jr
Phillip G. Hennen

O Brasil é uma das regiões mais ricas em espécies de ferrugem do mundo e muitas espécies, hospedeiros e fenômenos biológicos relacionados ao grupo ainda carecem de melhores estudos, registros ou mesmo de serem descobertos.

Muito mais pesquisas de campo e de laboratório ainda necessitam ser desenvolvidos uma vez que a maioria dos ecossistemas brasileiros ainda não foram suficientemente explorados em relação às espécies de ferrugens. Muitos experimentos de inoculação ainda são necessários para determinar os ciclos de vida destes fungos e o respectivo espectro de hospedeiros. O número de pesquisadores e estudantes que participam de estudos de campo, herbários, taxonômicos e da biologia de ferrugens ainda é muito reduzido. A rápida destruição da flora brasileira pode levar a extinção várias espécies botânicas e, conseqüentemente, também das ferrugens. Sendo assim, muitas espécies de ferrugens ainda não catalogadas correm o risco de não serem descobertas ou ainda, aquelas já conhecidas, que carecem de estudos mais aprofundados, como as respectivas adaptações ecológicas e de seus ciclos de vida, podem permanecer desconhecidos.

A intenção do presente Catálogo é consolidar em um único documento informações sobre as espécies de Uredinales, agentes etiológicos de doenças de plantas denominadas ferrugens, relatadas para o Brasil. Este trabalho fornece toda sorte de informações básicas sobre o grupo, com o objetivo de auxiliar cientistas e estudantes a identificar as espécies e fornecer os nomes atualmente aceitos das espécies. Estas informações constituem os dados básicos para todos os trabalhos futuros em relação à taxonomia das ferrugens (Uredinales) no Brasil. Cientistas e estudantes que não têm fácil acesso à bibliografia e a herbários especializados terão, com esta publicação, as informações básicas para suas pesquisas. O catálogo auxiliará não somente os cientistas identificar as espécies de ferrugens já constatadas no país, mas é de fundamental importância na determinação de gêneros ou espécies novas.

Embora o trabalho despendido neste catálogo tenha sido contínuo há muitos anos ele ainda é elementar e representa uma tentativa preliminar de documentação de todas as espécies de ferrugem que ocorrem em Brasil.

Os estudos sobre as ferrugens do Brasil se iniciaram em 1975, através de uma cooperação informal entre pesquisadores do Instituto Biológico de São Paulo no Brasil e o Arthur Herbárium da Universidade de Purdue, Lafayette, Indiana, EUA. Mais tarde o Botanical Reserch Institute do Texas, Forth Worth, Texas e, mais recentemente ainda, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, se integraram ao trabalho. A idéia desta pesquisa se iniciou em 1972 com a visita do Dr. Mário Barreto Figueiredo do Instituto Biológico de São Paulo à Universidade de Purdue com o objetivo de estudar a ferrugem do café Hemileia vastatrix. Desde então, esta cooperação resultou em vários mini cursos abordando o ensino de técnicas de herbário, biologia e taxonomia das ferrugens, treinando e formando estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores interessados neste campo da fitopatologia nos levantamentos de campo, laboratório e bibliográficos além de diversas publicações. A maior parte do trabalho de campo no Brasil foi desenvolvido no Estado de São Paulo, entretanto, vários materiais são provenientes de pelo menos 18 outros Estados brasileiros. O levantamento de dados teve como fontes diversos herbários brasileiros e estrangeiros. Entretanto, a maioria dos trabalhos de laboratório foram desenvolvidos no Instituto Biológico de São Paulo. Este catálogo e milhares de exsicatas devidamente acondicionados nos herbário Victória Rosseti do Instituto Biológico de São Paulo (IBI) também são testemunhos da importância desta cooperação. Uma grande base de dados eletrônicos da maioria das ferrugens encontradas foi organizada, gerando etiquetas de exsicatas e, além disso, foram registradas digitalmente diversas imagens das espécies, incluindo sintomas e sinais das referidas ferrugens.

Reconhecimento deve ser dado a vários funcionários do Instituto Biológico de São Paulo e seus diretores que colaboraram incondicionalmente nas várias etapas do desenvolvimento do trabalho. Agradecimento especial deve ser atribuído a Pesquisadora Dra. Victoria V. Rosetti cujo incentivo foi de fundamental importância, a Mary M. Hennen, co-autora do “Índice das Ferrugens (Uredinales) do Brasil” que também colaborou intensamente no desenvolvimento deste trabalho, a Dra. Vera Lúcia Bononi, pelo auxílio em diversas etapas e a Silvana D’Agostini, pelo preparo de diversas pranchas, principalmente relacionadas aos ciclos vitais das ferrugens. Membros das Seções de Micologia, Bioquímica e Virologia Fitopatológica do Instituto Biológico de São Paulo também colaboraram de várias maneiras para esta realização. O suporte financeiro da FAPESP, CNPq e FAPERJ no Brasil e da Universidade de Purdue, National Science Foundation (NSF) e Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foram fundamentais e sem o qual a pesquisa não poderia ser viabilizada. Agradecemos nossas Instituições: Instituto Biológico de São Paulo, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Universidade de Purdue, Arthur Herbarium e Botanical Research Institute do Texas (BRIT) que disponibilizaram os respectivos Herbários, laboratórios e bibliotecas. Para as pesquisas de campo contamos também com o apoio do Instituto Florestal de São Paulo, Fundação Florestal de São Paulo, Instituto de Botânica de São Paulo e Museu Costa Lima de Macapá, AP e do Museu Goeldi de Belém.

O catálogo deve ser considerado como uma grande revisão e expansão de um trabalho anterior denominado "Índice das Ferrugens (Uredinales) do Brasil" de autoria de Hennen, J. F., M. M. Hennen, e M. B. Figueiredo (1982). Ele inclui várias novas informações e correções ao trabalho original, como segue:

1. Acréscimo das novas ocorrências de ferrugens para o Brasil desde a publicação do Índice anterior,

2. Dados do espécime do TIPO para cada nome de espécie de ferrugem, incluindo sinônimos. Todas as informações pertinentes disponíveis no protólogo sobre os espécimes foram incluídas. Não foram determinados os Herbários em que os espécimes tipo estão acondicionados, mas, sempre que presente, foram indicados os coletores e os respectivos números de campo,

3. Foram inseridos os nomes amórficos válidos separando-os dos nomes teleomorfos como preconizado pelo código internacional da nomenclatura botânica (ICBN). Para os sinônimos nomenclaturais, aqueles com o mesmo espécime tipo, tanto dos teleomorfos quanto dos anamorfos foi utilizado o símbolo , na frente de cada nome; o símbolo = foi utilizado para indicar um sinônimo taxonômico, isto é os nomes com espécime tipo diferente.

4. Para a notação dos ciclos de vida foi adotado um novo sistema de símbolos que procura retratar o ciclo de vida da maioria das espécies. Esta notação é colocada em negrito e entre parêntesis imediatamente após as informações relacionadas ao nome holomorfo aceito da espécie de ferrugem. Este novo sistema adota sistema ontogênico para os estágios dos ciclos de vida das ferrugens. Estes símbolos serão discutidos posteriormente.
5. Área geográfica geral dos espécimes no exterior do Brasil.

6. Informações taxonômicas descritivas e outras disponíveis foram incluídas para grande parte dos gêneros e espécies.
7. São indicadas as espécies de importância econômica.

8. São também informados os dados sobre as publicações e/ou exsicatas de espécies que foram constatadas no Brasil sempre quando disponíveis.

Não foi possível confirmar a identificação dos hospedeiros de espécies em que os dados foram retirados da literatura. Entretanto, um grande esforço foi despendido para que a identificação dos hospedeiros fosse a mais correta. Portanto, muito provavelmente os nomes atribuídos aos hospedeiros podem ser considerados confiáveis para quase todas as famílias e gêneros de hospedeiros. A atualização do nome das espécies e respectivos autores de vários hospedeiros foram baseados nas bases de dados dos Trópicos do Missouri Botanical Garden e do New York Botanical Garden.

O número de gêneros propostos na literatura como válidos tem variado sensivelmente no decorrer dos anos. Laundon em 1965 listou 289 nomes que haviam sido propostos até então. Atualmente, muitos destes gêneros são considerados sinônimos ou estão fora de uso por várias razões técnicas. Os mais recentes autores a publicar um trabalho de revisão crítica sobre os gêneros de ferrugens para o mundo foram Cummins e Hiratsuka (2003). Estes autores adotam 120 gêneros aceitos como holomorfos e 13 gêneros anamórfos. No presente Catálogo foram incluídos 56 gêneros holomórficos, 9 gêneros anamórficos e cerca de 800 espécies encontrados no Brasil.

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